sexta-feira, 28 de agosto de 2015

CPMF: do desespero à aberração

O Estado de S.Paulo

Desesperado e disposto a quase tudo para fechar as contas do próximo ano, o governo estuda a recriação do imposto do cheque, a CPMF, uma aberração desconhecida no mundo civilizado. Pode-se até discutir se o Tesouro precisa, neste momento, de um aumento da carga tributária, embora o peso jogado sobre o contribuinte já seja excessivo. A questão mais importante é outra, quando se trata da malfadada Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Esse tributo é um monstrengo. Se fosse um bicho, espantaria os zoólogos estrangeiros, tanto quanto espantou, como instrumento de arrecadação, economistas e especialistas em assuntos fiscais de outros países. É esse o ponto. Outros impostos, como o ICMS, cobrado pelos governos estaduais, são disfuncionais e prejudicam a economia, mas pelo menos têm as características normais de tributos. O caso da CPMF é outro.

Em ambientes com alguma normalidade, impostos e contribuições incidem sobre operações econômicas ou sobre o patrimônio. São cobrados sobre a produção, a circulação de bens e serviços, as transações financeiras, a propriedade, a herança, as doações e as quatro formas de rendimentos – salários, lucros, juros e aluguéis. O monstrengo CPMF incide sobre a mera transferência de dinheiro, realizada, na maior parte das vezes, como pagamento de transações econômicas. O preço de uma lata de refrigerante contém uma porção de tributos. Até 2007, o consumidor, ao comprar essa lata, pagava todos aqueles impostos e ainda era taxado simplesmente porque pagou.

(...) A insistência no tema comprova o desespero do governo, diante do fracasso do ajuste em 2015 e das perspectivas muito ruins da economia e da receita em 2016. Outros projetos de aumento de impostos estão no Congresso, mas nem isso parece bastar. Daí a corrida para a venda de terrenos e outros ativos. Isso poderá facilitar o fechamento das contas, mas o ajuste é algo mais sério e de maior alcance. O ministro da Fazenda, segundo fontes de Brasília, defende medidas mais consequentes e menos improvisadas. Se for verdade, ele deve manifestar-se. Ou aceitar a desmoralização.

Desesperado e disposto a quase tudo para fechar as contas do próximo ano, o governo estuda a recriação do imposto do cheque, a CPMF, uma aberração desconhecida no mundo civilizado. Pode-se até discutir se o Tesouro precisa, neste momento, de um aumento da carga tributária, embora o peso jogado sobre o contribuinte já seja excessivo. A questão mais importante é outra, quando se trata da malfadada Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Esse tributo é um monstrengo. Se fosse um bicho, espantaria os zoólogos estrangeiros, tanto quanto espantou, como instrumento de arrecadação, economistas e especialistas em assuntos fiscais de outros países. É esse o ponto. Outros impostos, como o ICMS, cobrado pelos governos estaduais, são disfuncionais e prejudicam a economia, mas pelo menos têm as características normais de tributos. O caso da CPMF é outro.

Em ambientes com alguma normalidade, impostos e contribuições incidem sobre operações econômicas ou sobre o patrimônio. São cobrados sobre a produção, a circulação de bens e serviços, as transações financeiras, a propriedade, a herança, as doações e as quatro formas de rendimentos – salários, lucros, juros e aluguéis. O monstrengo CPMF incide sobre a mera transferência de dinheiro, realizada, na maior parte das vezes, como pagamento de transações econômicas. O preço de uma lata de refrigerante contém uma porção de tributos. Até 2007, o consumidor, ao comprar essa lata, pagava todos aqueles impostos e ainda era taxado simplesmente porque pagou.

(...) A insistência no tema comprova o desespero do governo, diante do fracasso do ajuste em 2015 e das perspectivas muito ruins da economia e da receita em 2016. Outros projetos de aumento de impostos estão no Congresso, mas nem isso parece bastar. Daí a corrida para a venda de terrenos e outros ativos. Isso poderá facilitar o fechamento das contas, mas o ajuste é algo mais sério e de maior alcance. O ministro da Fazenda, segundo fontes de Brasília, defende medidas mais consequentes e menos improvisadas. Se for verdade, ele deve manifestar-se. Ou aceitar a desmoralização.

CPMF: proposta ilumina a gravidade do cenário

Gustavo Patu
Folha de S.Paulo

(...)  tornou-se impossível até elaborar um projeto de Orçamento para 2016 sem uma nova fonte bilionária de receita –ressuscitada, a CPMF arrecadaria cerca de R$ 75 bilhões anuais.

Se nada for feito, uma previsão realista de despesas/receitas em 2016 mostrará um novo buraco das contas. O mercado credor fará as contas e trará a crise para o presente.

No ano eleitoral de 2014, a dívida pública foi de 53,3% para 58,9% do PIB. No primeiro semestre deste ano, fechou em 63,2%. O ritmo é explosivo e suscita dúvidas crescentes sobre a solvência futura do Tesouro Nacional.

A cartada da CPMF ao menos ilumina a gravidade do cenário. Nos últimos meses, o Congresso não só desfigurou as propostas de ajuste, mas também criou e ameaça criar novas despesas.

Essa é uma cilada da qual nem governo nem oposicionistas –se quiserem voltar ao Planalto– poderão escapar. O desgaste político virá na forma de redução de programas sociais ou aumento de tributos. Ou, ainda, mais inflação.



'Projeto impeachment', recriação da CPMF irrita Temer

A intenção do Planalto de recriar a CPMF surpreendeu e irritou Michel Temer. Alheio à discussão dentro do governo sobre a volta do tributo, o vice-presidente deixou claro à equipe que não vai se empenhar por sua aprovação no Congresso. Temer estava especialmente contrariado porque seria cobrado pela ideia em jantar com empresários nesta quinta-feira, em São Paulo. Aliados que conversaram com o vice batizaram a proposta de “projeto impeachment” de Dilma Rousseff.

Leve e solto

Temer aceitou convite de Rosângela Lyra, do Acorda Brasil –movimento de oposição à presidente–, para encontro na quinta-feira, 3 de setembro. (Painel – Folha de S.Paulo)

PIB cai 1,9% no 2º trimestre e confirma recessão

A economia brasileira está em recessão. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,9% no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano. Foi o maior tombo desde o primeiro trimestre de 2009, quando também houve queda de 1,9%, segundo o dado revisado. Na época, o País ainda se recuperava dos impactos mais imediatos da crise internacional.

No primeiro trimestre de 2015, o PIB já havia encolhido - o que configura o cenário que os economistas chamam de recessão técnica. E a atividade teve uma queda bem mais intensa nesses três primeiros meses do que se imaginava: o dado foi revisado de -0,2% para -0,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Recentemente, porém, o Codace/FGV apontou que a economia brasileira está em recessão há muito mais tempo, desde o segundo trimestre de 2014.


Na comparação com o período de maio a junho de 2014, houve queda ainda maior do PIB: 2,6%. Com os dados divulgados hoje, a economia encolheu 2,1% no primeiro semestre ante igual período do ano passado, e acumula recuo de 1,2% em 12 meses. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,43 trilhão. (Estadão)



E Lula reage: “Se precisar, serei candidato”


Boneco de Lula inflado hoje em SP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na manhã desta sexta-feira, 28, em entrevista à Rádio Itatiaia em Montes Claros, Região Norte de Minas, que, se for preciso, disputará a Presidência da República em 2018.

"Não posso dizer que sou nem que não sou candidato. Sinceramente, espero que outras pessoas sejam candidatas. Agora, uma coisa é certa: se a oposição acha que vai ganhar, que não vai ter disputa, e que o PT está acabado, ela pode ficar certa do seguinte: se for necessário eu vou para a disputa e vou trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições". (Estadão)

Se eleição fosse hoje, Aécio faria o dobro de votos de Lula

Levantamento nacional promovido pela Paraná Pesquisa mostra que o senador Aécio Neves, do PSDB, teria quase o dobro de votos que o ex-presidente Lula se a eleição para a presidência fosse hoje – 36,2% contra 19,6%. Marina Silva ficaria em segundo lugar, com 20,4%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 27, ouviu 2.060 pessoas e apresenta margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Aécio lidera em todas as regiões, exceto no Nordeste, onde aparece tecnicamente empatado com Lula (27,1% a 26,8%). Nas demais, ganha de lavada do ex-presidente: Norte e Centro-Oeste (41% a 16,7%), Sudeste (40% a 18,4% e Sul (37,2% a 13%).

Aécio é apontado como o candidato tucano que detém a maior preferência do eleitor – 38,4%. José Serra e Geraldo Alckmin estão empatados – 13,3% a 12,8%.

Num cenário sem Aécio, Marina Silva surge empatada tanto com Serra (26,2% a 27,2%) e Alckmin (26,6% a 25,4%).

Lula perde também nos demais cenários – 20,5% com Alckmin e Marina e 20,1% com Serra e Marina.

Íntegra da pesquisa

Esmael Moraes deturpa resultado de pesquisa


O blogueiro Esmael Moraes, de Curitiba, omitiu a liderança de Aécio Neves – que disputou o segundo turno da última eleição - no levantamento realizado pela Paraná Pesquisa, deturpando, assim, seu resultado. Ele apresentou como cenário “mais crível” a participação do tucano Geraldo Alckmin e “menos provável” a de Aécio e José Serra.

Moraes atribui essa classificação a Murilo Hidalgo, diretor do instituto. A apresentação da pesquisa, feita por Hidalgo, desmente o blogueiro. E seu teor idem, pois, ao apresentar os três tucanos com maior probabilidade de disputar a eleição, Aécio surge como o mais cotado, com 38,4% das intenções. Mais de três vezes, portanto, que Serra (13,3%) e Alckmin (12,8%).

A pesquisa publicada pelo blogueiro limita-se ao cenário no qual participam Marina Silva (27%), Alckmin (25%) e Lula (21%).

União condiciona renovação do pedágio no PR a tarifa menor e novas obras

A combinação entre redução de tarifa e ampliação do pacote de obras é o caminho único apresentado pelo governo federal para a renovação das concessões de pedágio no Paraná. A condição foi apresentada pelo secretário de gestão do Ministério dos Transportes, Luciano Castro (foto), durante reunião com o governador Beto Richa (PSDB) e representantes do G-7, entidade que representa o setor produtivo do estado, nesta quinta-feira (27), no Palácio Iguaçu.

Castro é o responsável por elaborar um relatório para definir os termos da renovação. O trabalho tem prazo de um ano para ser concluído, renovável por mais um. As concessões da malha de 1,8 mil quilômetros de rodovias federais vencem em 2021.

“Vamos tentar [a renovação]. Se não for possível, espera vencer o contrato e não se prorroga”, afirmou Castro, após a reunião fechada para a imprensa. A ideia, disse ele, é ouvir todos os lados envolvidos (governo estadual, setor produtivo e concessionárias) para fechar os termos da renovação.


Durante o encontro, Castro reafirmou a exigência de duplicar todo o anel de integração, precondição colocada no início do mês pelo governo federal. Segundo o secretário, a ideia foi apoiada por Richa na reunião. (Gazeta do Povo)

TSE investiga gráfica que pagou propina a Vargas

Uma gráfica que pode ter repassado propina para o ex-deputado André Vargas, que deixou o PT no ano passado, está entre os alvos da investigação promovida pelo ministro Gilmar Mendes, integrante do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nas contas da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição.

A gráfica Braspor emitiu uma nota fiscal de R$ 350 mil como comprovante de prestação de serviços à campanha de Dilma que não foi declarada pelo comitê da petista à Justiça Eleitoral. Por isso, caiu na malha fina do TSE.

A empresa é fornecedora do PT há anos e também prestou serviços a outros partidos, como o PSDB e o PSB. Ela virou alvo da Lava Jato ao lado de várias firmas que repassaram dinheiro a uma empresa fantasma de André Vargas, hoje preso em Curitiba por suspeita de envolvimento com a corrupção na Petrobras.


Entre 2013 e 2014, a Braspor fez ao menos três depósitos na conta da LSI, a empresa mantida por Vargas. Os pagamentos somaram R$ 79 mil. (Folha de S.Paulo)



Pedro Corrêa negocia delação contra Palocci

Provocou correria nas cúpulas do PT e do governo a informação de que seria o ex-deputado Pedro Corrêa (PP) quem negocia um acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato. A força-tarefa considera que ele poderá esclarecer de forma definitiva suspeitas que envolvem a participação do ex-ministro Antonio Palocci e do ex-presidente Lula no esquema de corrupção que roubou a Petrobras.
  
SOB INVESTIGAÇÃO
O envolvimento de Palocci foi citado pela primeira vez há um ano, em delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Lava Jato.
  
ORIGEM DA SAFADEZA
A força-tarefa acredita que Pedro Corrêa entrou nos esquemas do PP no “Petrolão” com autorização de Palocci e da cúpula do Planalto.
  
YOUSSEF AVISOU
O doleiro Alberto Youssef disse à CPI da Petrobras, na acareação com Paulo Roberto, que um novo delator esclareceria o papel de Palocci.
  
OPERADOR NA FAMÍLIA
Dalton Avancini, da Camargo Corrêa, delatou Adhemar Palocci, diretor da Eletrobrás e irmão do ex-ministro, como recebedor de propina. (Claudio Humberto - Diário do Poder)

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Cantei a bola: Dilma suspende nomeção de Bernardo para comandar Itaipu

Cantei a bola há dois dias. Pois era óbvio que Paulo Bernardo não pode assumir Itaipu depois da suspeita de que foi beneficiado, assim como a companheira conjugal Gleisi Hoffmann, com dinheiro proveniente de empresa contratada sem licitação pelo Ministério do Planejamento quando ele o comandava. Confira


A presidente Dilma Rousseff suspendeu a nomeação do ex-ministro Paulo Bernardo para a direção-geral brasileira de Itaipu Binacional. Segundo assessores presidenciais, a nomeação estava pronta na Casa Civil desde a semana passada, mas Dilma mandou segurar a indicação após o ex-ministro aparecer citado na Operação Lava Jato em um esquema de corrupção investigado no Ministério do Planejamento.

Auxiliares de Dilma já comunicaram ministros e dirigentes petistas sobre a decisão. A presidente quer esperar os desdobramentos das investigações da Lava Jato antes de confirmar o petista à frente de Itaipu.

Paulo Bernardo foi ministro do Planejamento do governo Lula e de ocupou a pasta das Comunicações no primeiro governo Dilma. Ele é casado com a senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR), investigada na Lava Jato.

Nesta segunda-feira (24), o juiz federal Sergio Moro, do Paraná, enviou despacho ao STF (Supremo Tribunal Federal) afirmando que as investigações da Lava Jato identificaram “indícios de que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) seria beneficiária de valores de possível natureza criminosa”, recebendo “pagamentos sem causa”.

De acordo com o documento, Gleisi teria se beneficiado do chamado “Fundo Consist”, empresa que teria atuado no desvio de recursos de empréstimos consignados do Ministério do Planejamento – que, à época, era comandado pelo seu marido, Paulo Bernardo.


Pelo menos R$ 50 mil desse fundo em pagamentos do esquema teriam sido repassados também em favor da congressista e de pessoas ligadas a ela, além do ex-ministro. (Folhapress/Gazeta do Povo)

Privataria petralha avança na Infraero, que encolherá ainda mais

Padilha: vende-se!
A “concessão” de 51% dos aeroportos mais movimentados do país à iniciativa privada – “concessão” é o sinônimo petista para privatização -, fez com que a rentabilidade da Infraero desabasse. Para evitar mais perdas, o Planalto encontrou a saída: passar adiante – ou seja, vender – 10% do que sobrou da participação da Infraero.


A privataria petralha atingiu em cheio outras estatais. A mais afetada delas é a Petrobras, cuja dívida é algumas vezes superior ao seu valor de mercado, que desabou, e está sendo paga por meio de um bilionário programa de "desenvestimento" - outro sinônimo petista para venda de ativos.

A privataria petralha está, portanto, em franca, célere e tresloucada evolução.

Informa a Folha de S.Paulo:

O governo federal planeja vender fatias da participação que a Infraero tem nos aeroportos concedidos à iniciativa privada, como parte de um esforço para salvar a estatal, cujo prejuízo em 2015 chegará a R$ 450 milhões.

Segundo o ministro Eliseu Padilha (Secretaria de Aviação Civil), a intenção é vender algo perto de 10% dos aeroportos de Guarulhos, Brasília, Confins, Galeão e Viracopos (Campinas). A Infraero tem 49% em cada um.

A concessão fez a estatal perder os seus aeroportos mais rentáveis; assim, como consequência da perda de receitas, a empresa passou de lucrativa a deficitária.

"Estamos com estudo concluído pelo Banco do Brasil, o ministro Nelson Barbosa [Planejamento] já aprovou. É perfeitamente viável", diz Padilha. A proposta ainda será levada para análise de Dilma.

A intenção é que as vendas de participação ocorram a partir do ano que vem. O Orçamento para 2016 já contemplará as receitas resultantes do negócio, disse o ministro.


Dilma deveria contratar a analista do Santander

Leonardo Souza
Folha de S.Paulo

A expressão "faltar com a verdade" é um eufemismo para dizer que alguém mentiu. Em entrevista à Folha e a outros dois jornais nesta segunda-feira (24), a presidente Dilma Rousseff afirmou que só percebeu os sinais da grave crise que se avizinhava entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, ou seja, após a eleição.

Para usar outro eufemismo, os fatos contradizem a presidente.

(...) Do mercado financeiro vieram diversos alertas de que a situação era muito ruim e que as contas do governo estavam em frangalhos. Um episódio marcou a eleição. No final de julho, o Santander enviou para seus clientes vips um informe sobre o impacto da corrida presidencial nos indicadores financeiros.

No relatório, o banco espanhol avaliava que se Dilma subisse nas pesquisas e vencesse a eleição, a Bolsa cairia e os juros subiriam. O Santander ressaltava também que a economia brasileira já estava muito mal, com baixo crescimento, inflação alta e déficit nas trocas comerciais com o mundo.

Na ocasião, a presidente Dilma classificou a análise do banco de "inadmissível" e "lamentável".

O ex-presidente Lula disse que a autora do informe do Santander não entendia "porra nenhuma de Brasil" e que deveria ser demitida.

Cedendo à pressão, o Santander demitiu a gerente de investimentos que escreveu a análise, além de dois de seus colegas e a superintendente da área, que aprovaram o texto.

Desde a vitória de Dilma, o quadro não poderia ser pior. A inflação beira os 10% ao ano, a economia entrou em recessão, o desemprego bate recordes, o dólar está em sua maior cotação em 12 anos, o Banco Central não para de subir os juros...


Não se sabe se a gerente de investimentos do Santander ainda está desempregada. Estando ou não, Dilma faria um bem muito grande para si mesma se a contratasse. Dificilmente correria o risco de vir a público novamente no futuro admitir que errou ao não compreender o óbvio sobre economia.



A caixa-preta do PT

Fernando Canzian
Folha de S.Paulo

Lula e Dilma fizeram explodir em seus mandatos o total de funcionários na administração pública federal. Juntos, os dois contrataram 129.641 servidores concursados (elevando o total para 615.621). Já o pessoal em cargos, funções de confiança e gratificações aumentou em 32.052 (para 99.850; +47%).

Depois de qualificar como "lorota" o plano da oposição na campanha eleitoral para reduzir ministérios, Dilma anuncia sem detalhamento que pode eliminar dez deles (de 39). E mil cargos de confiança. Ou seja, cortaria só 3% dos mais de 32 mil novos cargos, funções de confiança e gratificações que ela e Lula criaram.


Cerca de 75% de tudo o que entra no caixa do governo federal hoje sai diretamente para o bolso de funcionários públicos, aposentados e beneficiários de programas sociais. O governo acaba atuando, portanto, como um simples controlador de uma "grande folha de pagamentos". Entrou, saiu.

O motivo de tantos ministérios, sem que haja mais dinheiro livre para suas ações, seria um mistério não fossem eles usados apenas politicamente. Onde o pouco dinheiro livre que entra normalmente abastece aliados.

No caso de algumas pastas ligadas às áreas sociais, como a do Desenvolvimento Social, há funções claras, como averiguar se crianças do Bolsa Família vão à escola e postos de saúde. Nos da Saúde e Educação, também.

Mas não parece razoável tantos funcionários e cargos novos para lidar com apenas 25% do dinheiro que sobra da arrecadação depois dos repasses diretos.

O aumento, desproporcional aos avanços do país, é mais uma caixa-preta dos quase 13 anos do PT.

As nomenclaturas para cargos, funções de confiança e gratificações (47) são cifradas e herméticas, sem dar pistas do que toda essa gente faz, segundo documento enviado à Folha pela ONG Contas Abertas. Da quantidade de ministérios e relevância, até Dilma agora reconhece a excrescência.

Mais

Reforma ministerial cria tensão na Esplanada

Anunciada às pressas pelo governo federal na última segunda-feira (24), a reforma administrativa do Executivo instaurou um clima de apreensão na Esplanada dos Ministérios.

Em conversas reservadas e nos corredores de seus gabinetes, ministros repetem que "ninguém está a salvo" do corte que pretende eliminar pelo menos dez das 39 pastas.

Auxiliares da presidente dizem que a "insegurança" se deu porque, ao fazer o anúncio, Dilma não especificou quais serão os ministérios que vão deixar de existir até o fim de setembro.

Durante a reunião de coordenação política, na segunda, Dilma surpreendeu grande parte dos ministros ao dizer que promoveria uma reforma à qual sempre resistiu.


Durante a campanha eleitoral do ano passado, ela criticou as propostas de redução do número de ministérios de seus adversários, Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE) (que morreu durante a campanha e foi substituído por Marina Silva), e afirmou que quem defendia cortar pastas possuía "imensa cegueira tecnocrática". (Folha de S.Paulo)

Fragilidade de Dilma é “sem precedentes”, avalia STF

Ministros do STF e o Palácio do Planalto reagiram com perplexidade diante da abertura da ação de cassação de mandato contra Dilma Rousseff pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ministros do Supremo que não atuam na Justiça Eleitoral avaliaram que a fragilidade política de Dilma é “sem precedentes”. A cozinha do governo foi pega de surpresa com a maioria pró-investigação, apesar de a ministra Luciana Lóssio ter pedido vista –prazo com o qual auxiliares da presidente contavam.

O pedido de Henrique Neves para antecipar seu voto mesmo com o pedido de prazo enfureceu o entorno de Dilma. Palacianos lembravam que, há pouco tempo, o ministro estava em campanha ostensiva para ser reconduzido ao TSE.

As primeiras providências da ação de cassação devem ser solicitar material da Operação Lava Jato, de onde ministros acreditam que podem vir provas de crimes eleitorais da petista.


Senadores da oposição esperam que o avanço da ação no TSE constranja Rodrigo Janot a acelerar a investigação paralela à do TCU das contas do governo em 2014. Por isso insistiram no tema na sabatina. (Painel - Folha de S.Paulo)

Fernando Baiano é o novo delator da Lava Jato

O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como o operador do PMDB no escândalo do petrolão, é o "novo delator" citado pelo doleiro Alberto Youssef, que esclarecerá a doação de 2 milhões de reais para a campanha de Dilma Rousseff em 2010, segundo edição desta quinta-feira do jornal O Estado de S. Paulo. Youssef fez a afirmação em acareação na CPI da Petrobras na terça-feira, em que ficou frente a frente com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, para esclarecer as divergências encontradas em seus depoimentos de delação premiada.


STF mantém validade da delação de Youssef

O  Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (27) manter o acordo de delação premiada do doleiro Alberto Youssef, principal delator do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.  Por unanimidade, mas com fundamentos diferentes, os ministros decidiram que o fato de o doleiro ter quebrado o acordo de colaboração da investigação do Caso Banestado não invalida as atuais delações.

O julgamento começou ontem (26), mas, diante do empate de 5 a 5 na votação, a conclusão foi adiada. O empate ocorreu na questão preliminar, que trata da validade do recurso. Diante do empate, o plenário do STF analisou o mérito hoje.


A validade das delações do doleiro foi questionada pela defesa de Erton Medeiros, executivo da Galvão Engenharia, que cumpre prisão domiciliar. No recurso, o advogado José Luís de Oliveira Lima pedia a anualação do acordo de delação premiada, porque Youssef quebrou as regras do termo de colaboração na investigação do Caso Banestado. (Agência Brasil)

Cerimonial barra Dilma em evento no Planalto e ela sobe nas tamancas

Dilma e os atletas: mais calma
Faltavam poucos minutos para o meio-dia desta quinta-feira (27) quando o improvável aconteceu: a presidente Dilma Rousseff foi barrada pela equipe do cerimonial do Palácio do Planalto antes de receber os atletas que participaram dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de Toronto 2015.

Vestindo calça preta e blazer rosa claro, Dilma aguardava ser anunciada embaixo da rampa do segundo andar do Palácio. Assim que ouviu o chamado –"senhoras e senhores, a presidente da República, Dilma Rousseff"–, apressou-se com passos firmes em direção ao palco.

À sua frente, porém, um dos cerimonialistas a impediu de prosseguir. Com as duas mãos estendidas junto à presidente, pediu que ela esperasse a passagem dos atletas cadeirantes, que haviam recebido os cumprimentos de Dilma momentos antes, em um salão anexo.

Foi o suficiente para a presidente fechar o cenho e discutir com o funcionário. Gesticulava, balançava negativamente a cabeça e dizia que o evento precisava ter sido melhor organizado. 

Assessores perceberam que o mau humor da presidente estava chamando a atenção dos presentes e se aproximaram da dupla na tentativa de neutralizar o clima. Dilma deu dois passos para trás e chamou o homem para, mais uma vez, frisar seu descontentamento, aparentando estar um pouco mais calma.


Ouviu então novamente seu nome pelo alto-falante. Voltou a se colocar ao lado do ministro do Esporte, George Hilton, e se encaminhou para o palco após ser anunciada pela segunda vez. (Folha de S.Paulo)