segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Liminar do TJ paralisa ação penal da Operação Voldemort

O órgão especial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) concedeu liminar suspendendo a ação penal da Operação Voldemort. A reportagem apurou que a decisão foi concedida para a secretária estadual de Administração e Previdência, Dinorah Nogara, sob o argumento de que ela já era investigada e que o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, não poderia julgá-la.

Como secretária de estado, Dinorah Nogara tem como foro o Tribunal de Justiça – não pode ser investigada por promotores ou ser ré em processos conduzidos por juízes de primeiro grau.

Dinorah não foi denunciada pelo Gaeco na Operação Voldemort. O Gaeco de Londrina apenas enviou trechos das investigações que tinham relação com ela, para que a Procuradoria Geral de Justiça fizesse os encaminhamentos. A Operação Voldemort investiga a denúncia de fraude em uma licitação realizada pelo Departamento de Transportes (Deto), órgão da Secretaria de Administração e Previdência (Seap) para a contratação emergencial de uma empresa para fazer a manutenção da frota do governo do Estado na região.


De acordo com o Gaeco, o verdadeiro dono da oficina Providence, a vencedora a licitação, seria o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB). (Jornal de Londrina)

Esses virtuosos do PT...

A segunda prisão de José Dirceu confirma tese que o PT expôs em manifesto divulgado em 31 de março:

“Perseguem-nos pelas nossas virtudes.” Confira

A frase exposta ao lado da foto de José Dirceu foi dita por ele em entrevista ao Folhateen (suplemento da Folha de S.Paulo) em agosto de 2011.

Haja virtude no PT!

Confira

Lava Jato chega à Pestapo, a rede de difamação do PT

Em outubro do ano passado, Leonardo Attuch (foto) diretor do portal Brasil 247, classificou de “calúnia” a informação, dada com exclusividade pelo jornalista Augusto Nunes, da Veja, de que havia sido encontrada anotação do doleiro Alberto Youssef sobre o repasse de R$ 240 mil, em seis parcelas, ao portal, que se notabiliza pela defesa intransigente do PT.

Attuch prometeu processar Nunes.

Sei lá se o fez ou não. Se não, é bom que se cale. Se o fez, aconselho que retire a denúncia, pois agora a acusação contra ele é oficial, e consta de despacho do juiz Sérgio Moro.

O lobista Milton Pascowitch confessou ter repassado, a pedido de João Vaccari Neto, tesouro do PT, R$ 180 mil para o Brasil 247, em setembro do ano passado (um mês antes da revelação de Nunes).

Diz Pascowitch: “Na reunião que tive com Attuch ficou claro que não haveria qualquer prestação de serviço mas que era uma operação para dar legalidade ao 'apoio' que o Partido dos Trabalhadores dava ao blog mantido por Leonardo".

Compreende-se agora por que o Brasil 2 + 4 + 7 = 13 deu aos mensaleiros e depois aos criminosos do PeTrolão.
A Lava Jato estende, assim, seus tentáculos a um dos portais mais ativos da Pestapo, a rede de desinformação e difamação montada pelo PT na internet.


(A Lava Jato descobriu também que a Editora Brasil Atual, ligada à CUT, que é ligada ao PT, era usada como lavanderia do PeTrolão.)

Leia mais em O Globo

A resposta de attuch a Nunes



Procuradoria deve arquivar inquérito sobre Anastasia

À frente das investigações sobre políticos citados na Operação Lava Jato, a Procuradoria-Geral da República estuda pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) neste mês o arquivamento do inquérito que apura o suposto envolvimento do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG/foto).

Como a Folha revelou em janeiro, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, disse à Polícia Federal em novembro de 2014 que entregou R$ 1 milhão em 2010 a Anastasia, então candidato a governador, por ordem do doleiro Alberto Youssef.

O senador rechaçou a acusação na época, e disse desconhecer o policial e o doleiro, um dos principais operadores do esquema de corrupção descoberto na Petrobras.

A fala de Careca foi desmentida depois por Youssef, que fez acordo para colaborar com as investigações e negou ter pedido ao policial que entregasse o dinheiro.

Os procuradores da Lava Jato fizeram nos últimos meses checagens para verificar a história de Careca, que depôs na condição de testemunha. As apurações não confirmaram os fatos narrados. (Folha de S.Paulo)

Mais

Comentei em janeiro a inconsistência da acusação, que reproduzo abaixo.



Procura-se um "mineirim" que recebeu (recebeu?) R$ 1 milhão de Youssef

A propósito do post acima, reproduzo comentário de 9 de janeiro sobre a inconsistência da acusação contra Anastasia:

Dois novos personagens são atingidos pelo furacão Lava Jato: o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, e o ex-governador mineiro e senador eleito Antônio Anastasia, do PSDB.

Eles foram denunciados pelo policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, que, a pedido do doleiro Alberto Youssef, entregava dinheiro podre a agentes públicos.
Anastasia e Cunha teriam recebido R$ 1 milhão cada.

Ambos negam publicamente a acusação e a atribuem em off a uma manobra do Planalto para queimá-los em praça pública: o primeiro, sempre indigesto para a madame Dilma, por pretender o comando da Câmara dos Deputados. E o segundo por ser o principal aliado de Aécio Neves em Minas Gerais – se o fogo for alimentado por indícios ou provas, fatalmente atingirá Aécio, principal adversário do Planalto.

Careca, o denunciante, relaciona dezenas de políticos em sua denúncia – entre eles dois paranaenses, os deputados federais André Vargas (ex-PT, ao menos formalmente), cassado no final do ano passado, e Nelson Meurer (PP). O denunciante tenta um acordo de delação premiada.

Careca foi específico sobre Meurer e Vargas, relatando a quantidade paga, o local e periodicidade da entrega. Em relação a Cunha (leia mais no post abaixo) e Anastasia ele foi superficial.

O caso de Anastasia, que teria recebido o dinheiro em 2010 quando disputava o governo de Minas, é gritante. Segundo O Estado de S. Paulo, este é o teor da denúncia da Careca:

“Tempos mais tarde, vendo os resultados eleitorais, identifiquei que o candidato que ganhou a eleição em Minas era a pessoa para quem eu levei o dinheiro.” Ao ver uma foto de Anastasia mostrada pela polícia, Careca afirmou: ‘A pessoa que aparece na fotografia é muito parecida com a que recebeu a mala enviada por Youssef, contendo dinheiro’.

Ele só o identificou o destinatário do dinheiro, portanto, “tempos mais tarde” relativo à eleição de 2010. E nem está 100% seguro de que se trata mesmo de Anastasia, pois a identificação foi feita com base numa foto “muito parecida” com ele.

Sabemos que Youssef, a pedido do então diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e das empreiteiras que participavam do cartel da Petrobras, era pródigo em distribuir quantias vultosas a políticos Brasil afora, independentemente do partido a que pertenciam, com predominância do PT e PP (até o surgimento do nome de Anastasia apenas um tucano fora envolvido, o falecido senador Sérgio Guerra).

Generoso, sim, mas babaca isto Youssef não é. Como admitir que seu emissário, homem de confiança testada em missões arriscadas até no exterior (entregou dinheiro no Peru e República Dominicana, por exemplo), tenha sido incumbido de repassar R$ 1 milhão em Minas Gerais a um político até então sem nome?

Como Careca se orientou: procurando em BH – 2,3 milhões de habitantes em 2010 - um cara de porte médio, meio roliço, cabelo cortado à escovinha, bochechudinho, olhos castanhos, fã de pão de queijo e doce de leite - um autêntico mineirim, sô! -, e amigo do Aécio Neves?

Faça-me o favor!


A fragilidade da denúncia e sua gravidade exigem um esclarecimento urgente do Ministério Público.

Petrolão, Eletrolão... e agora Planejamentão. Ou Bernardão?

Nova acusação atinge o Ministério do Planejamento quando era comandado pelo petista Paulo Bernardo

A Operação Lava Jato chegou ao Ministério do Planejamento. Trata-se da denúncia de que a empresa Consist, contratada sem licitação para fornecer a quem interessar possa informações cadastrais de mais de dois milhões de servidores públicos ativos e inativos, pagou R$ 10,7 milhões ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari para abocanhar o contrato.

O intermediário da propina foi o operador Milton Pascowitch, que assinou acordo de delação premiada com o Ministério Público. A Consist confirma o pagamento, mas não revela o motivo. Seu presidente, Pablo Kipersmit, foi preso hoje pela Operação Pixuleco, que também trancafiou o ex-ministro José Dirceu, o “guerreiro do povo brasileiro”.

O contrato com a Consist foi assinado em 2010, quando o titular do Planejamento era o petista Paulo Bernardo, que no ano seguinte assumiu o Ministério das Comunicações, cargo no qual se manteve durante todo o primeiro mandato de Dilma. Bernardo chefiou o Planejamento durante sete anos.

Bernardo é o companheiro da senadora petista Gleisi Hoffmann, investigada pelo STF pela suspeita de ter recebido para sua campanha, em 2010, R$ 1 milhão desviado da Petrobras. A acusação foi feita pelo ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, segundo quem o pedido para a doação foi feito por Bernardo e consumado pelo doleiro Alberto Youssef.


Paulo Bernardo! Paulo Bernardo...

Lula, Dilma e o PT estão à beira da apoplexia

Nestor Cerveró e Renato Duque, ex-diretores da Petrobras – o segundo foi indicado por José Dirceu – negociam delação premiada.

Se fecharem o acordo, vão se juntar a Roberto Pessoa e Léo Pinheiro, diretores da UTC e OAS – o segundo era amigo do peito de Lula – que conservam segredos explosivos sobre o PT e sua direção.

João Vaccari Neto está sendo pressionado pela família para dar com as línguas nos dentes...

... e José Dirceu, o mais bem-sucedido “consultor” da história do país – amealhou R$ 40 milhões em pouco tempo – foi preso hoje pela Operação Lava Jato.

Antes do Dia D – Dia de Dirceu -, o ex-ministro mandara recados para Lula de que não repetirá o silêncio que adotou no mensalão, crime pelo qual cumpria até poucas horas atrás pena de prisão domiciliar.


Há motivos de sobra para o PT, Dilma e Lula sofrerem uma apoplexia!

PeTrolão: agora só falta o chefe

Dos operadores de propina aos empreiteiros – os maiores do país – e diretores ou ex-diretores da Petrobras, a Operação Lava Jato prendeu também alguns agentes políticos – o ex-tesoureiro do PT João Vaccari e ex-deputados federais -, culminando hoje com a de José Dirceu.

A organização criminosa, montada pelo PT com a participação de seus cúmplices PP e PMDB, que operou o maior esquema de corrupção da história republicana, o PeTrolão, foi desmantelada e está quase toda atrás das grades ou cumprindo prisão domiciliar. Alguns membros foram condenados, outros são réus, outros estão em fase de indiciamento.

Toda organização criminosa tem um chefe.

E ele ainda não foi preso.

Quando será? Quem será?

Será aquele que imaginamos? Se não for, quem se atreveria a tomar o lugar dele?




Operação Pixuleco envolve 200 policiais

SÃO PAULO. O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi preso na manhã desta segunda-feira em Brasília, na 17 ª fase da Operação Lava-Jato.

Cerca de 200 policiais cumprem 40 mandados judiciais em Rio, Brasília e São Paulo - dos quais três são de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 26 de busca e apreensão.

Foram decretadas ainda medidas de sequestro de imóveis e bloqueio de ativos financeiros dos investigados.


A fase recebeu o nome de Pixuleco, termo utilizado para nominar a propina recebida em contratos. (O Globo)



Chegou o dia: PF prende José Dirceu

A mais do que esperada prisão do ex-ministro José Dirceu aconteceu há pouco, em Brasília. Informa o Estadão:

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil do governo Lula) foi preso na manhã desta segunda-feira, 3, em Brasilia.  Dirceu é alvo de prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato.

O ex- ministro está sob investigação por suposto recebimento de propinas disfarçadas na forma de consultorias, por meio de sua empresa JD assessoria, já desativada.
Dirceu cumpria prisão domiciliar por sua condenação no processo do mensalão.

A Polícia Federal incluiu a JD Assessoria e Consultoria em um grupo de 31 empresas  ”suspeitas de promoverem operações de lavagem de dinheiro” em contratos das obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco – construção iniciada em 2007, que deveria custar R$ 4 bilhões e consumiu mais de R$ 23 bilhões da Petrobrás.

O documento é o primeiro de uma série de perícias técnicas da Polícia Federal que apontam um percentual de desvios na Petrobrás de até 20% do valor de contratos. O percentual é superior aos 3% apontados até aqui nas investigações da Operação Lava Jato, que incluía apenas da propina dos agentes públicos e políticos.

“Foi identificada movimentação financeira da ordem de R$ 71,4 milhões, tendo como origem Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A e como destino as seguintes empresas, suspeitas de operarem lavagem de dinheiro: Costa Global Consultoria e Participações, JD Assessoria e Consultoria; Treviso do Brasil Empreendimentos e Piemonte Empreendimentos”, registra o laudo 1342/2015 presente nos autos da Lava Jato.


Dilma decide, enfim, reduzir número de ministérios

Dilma dá aval para corte no 1º escalão com o objetivo de atender aos apelos pela redução da estrutura governamental; presidente, porém, pretende manter pastas da área social no novo desenho a fim de não contrariar movimentos aliados ao PT e ao Planalto
BRASÍLIA - Com o objetivo de atender a apelos pelo enxugamento da máquina e redução de gastos públicos, a presidente Dilma Rousseff decidiu dar aval a um corte no número de ministérios - atualmente, o governo conta com 38 ministros. Conforme o Estado revelou em março, Dilma encomendou um estudo sobre a redução de pastas. Desde então, a discussão ganhou corpo no Palácio do Planalto, que pretende poupar do novo desenho os ministérios da área social, ligados a movimentos identificados com o PT.

Pesca e Aquicultura e Gabinete de Segurança Institucional (GSI), além das secretarias de Assuntos Estratégicos, Portos e da Micro e Pequena Empresa, podem ser extintos ou fundidos com outras pastas, segundo integrantes do governo ouvidos pela reportagem. Por outro lado, as secretarias de Igualdade Racial, Mulheres e Direitos Humanos serão preservadas para não contrariar a militância de movimentos sociais que ainda apoiam o governo. O novo organograma ainda está em discussão.


Auxiliares palacianos, no entanto, divergem sobre o “timing” do anúncio da reforma, em um momento em que o governo tenta pacificar a base, reduzir as tensões no Congresso e garantir a aprovação das medidas do ajuste fiscal. Partidos da base aliada perderiam cargos e influência nas decisões do governo com o enxugamento da máquina. (Estadão)

CGU pune ladrões de galinha e poupa raposões

A Controladoria Geral da União (CGU) anunciou no final de semana ter descoberto fraudes em licitações e sobrepreço em obras e serviços públicos, praticados este ano, no valor de R$ 37 milhões.

Aplausos!

Mas a zelosa CGU foi incapaz de detectar qualquer desvio na Petrobras (estimado, por enquanto, em R$ 16 bilhões) e na Eletronuclear, ponta do iceberg do eletrolão que começa a aflorar, cujo rombo no casco é por enquanto imprevisível.

Por que a CGU persegue os ladrões de galinha e poupa os raposões?


Elementar, meu caro Watson: os primeiros agem por contra própria ou mancomunados entre si; os segundos são do PT e da base aliada...


Vaccari discute delação e põe em pânico o PT

A cúpula do PT tem discutido o “risco João Vaccari Neto”, ex-tesoureiro preso pela PF na Lava Jato. Ele se queixa de “abandono” e tem citado o exemplo do que aconteceu ao mensaleiro Marcos Valério, condenado a quase 40 anos de prisão por fechar a boca. Vaccari insinua sempre uma possível delação premiada. Não fechou acordo ainda em razão de apelos dramáticos do ex-presidente Lula, anteriores à sua prisão.
  
BOCA NO TROMBONE
Líderes do PT contam que a pressão em Vaccari deve aumentar após o acordo de delação que tirou o lobista Mário Góes da prisão.
  
LINHA DURA
João Vaccari Neto está em cana desde abril e já teve seu pedido de soltura negado pelo juiz Sérgio Moro, que conduz a Lava jato.
  
FICHA CORRIDA
O ex-tesoureiro Vaccari sabe que, sem delação, terá pena longa. Ele foi acusado por pelo menos cinco delatores, na Lava Jato. (Claudio Humberto/Diário do Poder)



Planalto prevê nova queda da popularidade de Dilma

O governo Dilma Rousseff trabalha com dados que indicam uma nova queda da presidente nos índices de popularidade. Na última sondagem tornada pública, da CNT/MDA, só 7,7% disseram aprovar o governo -percentual mais baixo que o de Fernando Henrique Cardoso, até então campeão de impopularidade na série da mesma pesquisa.

Os números aos quais o governo tem acesso são analisados com cuidado, por causa da margem de erro. (Monica Bergamo/Folha de S.Paulo)


Eduardo Cunha, o franco atirador

Dora Kramer
O Estado de S.Paulo

"Eduardo Cunha uma ova, o meu nome agora é Zé Pequeno", poderia ter dito o presidente da Câmara no momento em que oficializou a ruptura com o governo. Quem viu o filme Cidade de Deus entende a referência. A frase marca o momento em que "Dadinho" delimita seu território e anuncia que dali em diante vai barbarizar.

Descontadas todas as diferenças entre pessoas, situações e atividades, o estado de espírito contido naquele aviso faz as ações do político da vida real lembrarem a fala - cujo termo original foi aqui substituído por "uma ova" - do personagem: a declaração de guerra a quem lhe ameaça o poder e se põe em seu caminho.


Eduardo Cunha é, sem sombra de qualquer dúvida, o presidente da Câmara dos Deputados que mais força ostentou - só não se pode dizer "na história" porque pode ter havido algum parecido. Igual, seguramente nenhum. Em termos de controle sobre a Casa nem Ulysses Guimarães teve tanto. Inclusive por circunstâncias e aplicação de metodologias diversas.

Legislativo volta ao trabalho


O Congresso Nacional, as assembleias legislativas e câmaras de vereadores retornam nesta semana as atividades após o recesso. No Congresso, as discussões giram em torno da apreciação de vetos da presidente Dilma Rousseff (PT) e votações de uma “pauta-bomba” que pode trazer mais custos para o governo.

A expectativa na Câmara Federal é de que sejam votadas as contas da Presidência da República pendentes de análise. Isso abriria caminho para a apreciação das contas da presidente Dilma Rousseff (PT), alvos de questionamentos pelo Tribunal de Contas da União. Está prevista ainda a votação do projeto protocolado por Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, que corrige o FGTS pela poupança - uma das maiores preocupações do governo.

Na Assembleia Legislativa do Paraná o desafio é retornar à “normalidade” após um primeiro semestre marcado por pautas polêmicas, que culminaram na “Batalha do Centro Cívico”, que deixou 213 feridos em 29 de abril.

Na Câmara de Curitibal, a discussão se dá, principalmente, em torno do novo Plano Diretor de Curitiba. (Gazeta do Povo/O Globo)


Bradesco compra HSBC no Brasil por US$ 5,2 bi

O Bradesco comprou a filial brasileira do HSBC por US$ 5,2 bilhões. A aquisição foi anunciada nesta madrugada, em Londres, depois de mais de dois meses de negociações e uma disputa que também teve entre os candidatos ao negócio o espanhol Santander e o Itaú.

O banco brasileiro comprou toda a operação do HSBC no País - os negócios de varejo e atacado. Com a subsidiária brasileira, que tem R$ 160 bilhões em ativos, o Bradesco alcança a cifra de R$ 1,193 trilhão em ativos e se aproxima do maior concorrente, o Itaú Unibanco.

Sétimo maior banco do Brasil, o HSBC tem 5 milhões de clientes, atendidos por uma rede de 853 agências, e cerca de 21,4 mil funcionários. Possui ainda a financeira Losango, que oferece crédito para compras na agência de turismo CVC, e nas redes Hering e Colombo. 
Sua participação no mercado, entretanto, é de apenas 2,25%.


A venda da subsidiária brasileira foi anunciada em junho pela matriz, como parte de uma reestruturação global para aumentar a rentabilidade do banco. (Estadão)

domingo, 2 de agosto de 2015

Dilma e um agosto infernal

Mês que se inicia traz ameaças de todos os lados: na economia, na Justiça, nos tribunais e na sociedade, que vai às ruas protestar contra Dilma Rousseff

Ainda não está claro se o governo Dilma Rousseff chegou ao fundo do poço ou se a situação vai piorar. Mas boas pistas surgirão no mês que teve início neste sábado. Mesmo que não acredite em superstições e ignore que agosto é profícuo em tragédias na política brasileira, a presidente da República tem com o que se preocupar. O segundo mandato chega ao oitavo mês cercado por crises de todos os lados: economia, política, Justiça e sociedade.

Quando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que estava aderindo à oposição, o Congresso acabara de entrar em recesso. Só a partir da próxima semana é que será possível medir com precisão as consequências da nova postura do peemedebista. O que já se sabe deve colocar o governo em alerta: Cunha deu aval à criação das CPIs do BNDES e dos Fundos de Pensão. Mais do que isto: deu ao PSDB e ao DEM cargos-chave nas Comissões Parlamentares de Inquérito.

O presidente da Câmara também vai analisar todos os 13 pedidos de impeachment pendentes na Casa, levando adiante os que tiverem sustentação jurídica. Desde a queda de Fernando Collor, em 1992, nenhum governo precisou se preocupar com uma ameaça do tipo.

Na economia, o rebaixamento da nota do Brasil e a consequente perda do grau de investimento pode agravar a situação econômica - que costuma ter grande influência sobre os níveis de popularidade, já baixíssimos. A piora de todos os índices importantes, como a inflação, o desemprego e a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) mostram que o país segue uma trajetória descendente.

Ao mesmo tempo, Dilma Rousseff é ameaçada em outros dois flancos: o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que analisa as pedaladas fiscais do governo em 2014, e que pode provocar a perda do mandato de Dilma Rousseff. O outro é a análise das contas do governo em 2014 (o que também leva em conta as pedaladas). Nesse caso, caso o tribunal opte pela rejeição, caberá ao Congresso decidir se confirma o posicionamento do TCU, o que deixará Dilma vulnerável a um processo de cassação.


Em 16 de agosto, o país deve ter mais um dia de grandes protestos contra o governo. A depender da quantidade de pessoas nas ruas e do transcorrer dos acontecimentos no Congresso e no TCU, pode ser esse o combustível decisivo para o processo de impeachment. Se o governo de Dilma Rousseff terminar agosto mais forte do que começou, poderá dizer que o pior terá passado. Mas, se todos os fatores confluírem, a República terá um mês inesquecível. (Veja online)



Crise do PT dá oportunidade ao PSDB para reencontrar sua identidade

Sérgio Fausto (*)
Folha de S.Paulo


Partido que nasceu oito anos depois do PT, marcando diferenças com este à esquerda e com o PMDB à direita, o PSDB chegou mais longe do que se previa. Mas os tucanos cometeram erros e renegaram o governo de FHC. A sigla agora pode se beneficiar da crise do PT, mas precisa lembrar de sua origem progressista.
  
(...) O PSDB está diante do desafio de criar canais de comunicação e diálogo com a sociedade que o partido jamais conseguiu institucionalizar ao longo de sua história. Canais para evitar o isolamento dos aparatos partidários e para renovar seus quadros, lideranças e também sua agenda, desde logo com a internalização dos novos temas civilizatórios, a começar pela ecologia e pela mudança climática. Não pela cooptação da sociedade civil organizada, mas pelo reconhecimento do papel e da voz de indivíduos e grupos sociais que, não sendo propriamente militantes partidários, querem não apenas ouvir mas ser escutados nas deliberações do partido.

Apesar da tendência ao encapsulamento burocrático, o PSDB sempre contou com essa rede potencial de apoio ao partido. Nas últimas eleições, para surpresa das próprias lideranças, essa rede se mostrou mais extensa e viva do que se imaginava. E também mais heterogênea.

Estabelecer uma interlocução qualificada com essa rede implica não apenas democratizar internamente o partido, mas também definir com mais clareza o lugar do PSDB no mapa ideológico do país. Para tanto, o partido não pode esquecer que construiu a sua história no campo progressista e visceralmente democrático. O esquecimento de seu DNA pode parecer tentador diante das tendências conservadoras em alta na sociedade brasileira, mas representaria a descaracterização irremediável do partido e a sua transformação em uma sigla como outra qualquer.

(*) Superintendente executivo da Fundação Instituto FH